21/01/2014

m

às vezes parece que ter encontrado você foi um sonho perfeito
de um tipo que só poderia acontecer com o fenômeno de um sono longo, tranquilo e profundo
tão profundo que não é possível retomar na memória os detalhes, ou mesmo preciosismos de superfície
de um tipo que a gente só sabe que aconteceu e agradece

30/09/2013

caro vento,

eu também me sinto sozinha em Sampa.

a sensação é menos frequente e mais potente. mas lá é fácil se distrair, fugir dela antes mesmo de se tornar insuportável. numa cidade como Bonito, me vejo obrigada a enfrentar esse incômodo. explorar o que é estar comigo mesma, fazer as minhas coisas, chegando a dispensar as oportunidades de companhia que tenho. até porque quero estar na companhia de pessoas com quem eu possa me identificar, desenvolver ideias. não ficar expondo, defendendo e digladiando sobre as que já tenho. preguiça disso. tento me poupar do desgaste.

o tipo de companhia que desejo não se encontra com facilidade em lugar algum. Sampa dá a impressão de que se tem isso, quando na verdade são fragmentos pulverizados nas características de várias pessoas. amigos e amantes, que vão compondo e, ainda que insatisfatoriamente, saciando.

no fundo, muitas vezes a companhia constante dessas pessoas, no um a um, relevam que aquele fragmento não é a ponta linda de iceberg de tudo que se pode viver junto. revela que não passa de um fragmento disperso. that’s it.

cheguei no limite com as relações superficiais, precisava de um tempo.

já aqui, mesmo as pessoas que têm os mesmos princípios pensam tão diferente que não tenho nada disso. é a mais desesperadora e mais reconfortante parte, inclusive – mal ter alimento para se iludir quanto a uma relação.

é uma solidão honesta. é preciso saber distinguir as coisas.

29/09/2013

can’t think right

03/09/2013

flechada

índio se confunde com cupido

30/08/2013

você tava muito triste porque não conseguiu aproveitar a promoção de algo muito geek na internet. era um assessório para o seu carrinho de montar, que tinha com peças vermelhas e amarelas e um tecido de estampa bonita voando enquanto ele andava. sabe quando a bexiga estoura e com o látex a gente faz uma bolinha pequena com o vácuo da boca e prende girando? esse era o motor do carrinho, que tava mais pra carro pelo tamanho, quase metade da sua altura. ele andava pela casa e desviava dos móveis, servindo como brinquedo para os gatos. você até tirou um autorretrato em pb, com a cara enterrada no edredon e abrançando o joelhos, pra postar numa rede social. mas eu não tava ligando muito porque todo o meu interesse estava voltado pra um estojo enorme com canetas, pincéis e lápis de tons comuns e outros muito coloridos. passei cinco minutos só olhando e decidindo com qual que eu ia começar a escrever. isso sem falar na praça com o fundo exclusivo para homens já com o cabelo branco. mais pra frente tinha crianças também, e dois palhaços que estavam sempre atrapalhando a minha visão da cantora negra com sombra prateada. ela estava se apresentando pela primeira vez.

27/08/2013

benção

imagine uma índia kadiwéu de dois anos com as duas mãozinhas juntinhas olhando pra cima e te pedindo a benção em palavras incompreensíveis.
eu vivi isso. duas vezes.

12/08/2013

café, capacete, pilha, lanterna, carro, conversa, senhor, cavalo, caverna, estalactite, mochila, adrenalina, neoprene, morcego da barriga branca, calcário, focos de luz, labirintos cinzas, escuridão, bagre cego, máscara, água gelada, eco, parede cortante, transparência, corpo, sifão, respiração, corredeira, unicófaro, amblipígio, tetos, espelhotemas, ornamentações, abismos, alimento, aranha, grilos, fósseis, bicho preguiça gigante, caminho, fadas, marrom, fungos artistas, pingos, sons, collembola, megalobolino, gastropoda, bioespelhologia, silêncio, censo visual, recaptura, anotações, cascudo, frio, escalada, corda, mão, lama, latidos, lua baixa e dourada, lua crescente, vacas, estrada de terra, sabor de infância, jambo, sinalização psicodélica, tamanduá mirim, lembrança de sorrisos, os olhos dela, planos com os amigos, mais frio, meia calça, caldo de piranha, caldo de piranha com gengibre frito, caldo de piranha quentinho.

20/07/2013

mas, por outro lado, tudo é descontinuidade

18/07/2013

i never knew what love can do

31/05/2013

quando falo em juventude, estou falando de você e de mim

03/04/2013

ilumina

28/03/2013

queria ver
o que você vê
quando fecha
a cortina

sonhos

04/03/2013

aos domingos se vê pouquíssimas as janelas acesas daqui
– aposto que ela não reparou.

28/02/2013

meu ídolo

hoje, depois de limpar a casa, deitei na rede da varanda e me atentei nas estrelas que despontavam por entre as nuvens em trânsito. busquei meu celular pra reconhecê-las usando o software google star. lá os nome estão diferentes dos que eu conheço, não ajudou em muita coisa. de qualquer forma, foi útil pra lembrar que tem infinitas outras estrelas naquela direção em que eu olhava, invisíveis. fiquei pensando no sol; como ele é imenso e poderoso, capaz de iluminar e aquecer corpos tão distantes.

26/02/2013

um brinde a toda morte prematura

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